segunda-feira, 26 de março de 2012

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL

violência no futebol não é um fenômeno intrínseco ao esporte, muito embora não sejam raros os exemplos de manifestações violentas em partidas nos campeonatos ao redor do globo.
Hoje em dia, por vezes, pode ser comum haver brigar e discussoes em jogos de futebol (principalmente por parte da torcida)

Violência no futebol prova que segurança no Egito evaporou

no twitter @gugachacra
As cenas de violência em uma partida de futebol no Egito foram em uma escala bem superior aos combates de torcidas organizadas no Brasil. Ao menos 70 pessoas morreram, de acordo com os relatos iniciais.  Não esta claro se há ligação com questões políticas. Mas certamente a segurança no país evaporou no atual processo de democratização.
Port Said, onde aconteceram as cenas de violência, é próxima à passagem para o Sinai e ao canal de Suez. Era tradicionalmente uma região policiada nos tempos da ditadura, especialmente para manter seguro o canal e a região do Sinai, conforme prevê o Acordo de Paz com Israel. Mas as forças de segurança deixaram de ser respeitadas nos últimos meses.
Um ano depois do início do movimento revolucionário na praça Tahrir, o Egito vive um momento em que as forças tentam se equilibrar. No Cairo, membros da Irmandade Muçulmana defenderam o Parlamento de manifestantes que reclamam dos antes radicais islâmicos, agora descritos como moderados, de terem feito aliança com as Forças Armadas. Cristãos coptas são alvo de ataques de salafistas. Os seculares temem ver suas liberdades desaparecer.
A migração de conflitos para o esporte seria natural, como aconteceu em uma série de países ao longo das décadas. Normalmente, em momentos de turbulência, os regimes árabes e mesmo frágeis democracias como a libanesa cancelam os seus campeonatos, como a Síria faz atualmente, ou proíbem a entrada de torcedores. Estes jogos são explosivos e muitas vezes envolvem divisões sectárias.
No Egito, porém, não havia estas diferenças de religião entre os torcedores. Na verdade, os egípcios são fanáticos por seus times como os brasileiros. Cantam e dançam como os torcedores do Fenerbace, da Turquia, do Boca Juniors, da Argentina, ou do Olympiakos, da Grécia. Uma partida destas equipes encanta pela paixão de seus torcedores. Al Ahli versus Zemalek, as duas grandes equipes do Cairo, é um clássico com uma rivalidade similar à de um Gre-Nal, de um Barcelona-Real, de um Racing-Independiente.
Nos choques de ontem, que envolveram o Al Ahli e o AL Masri, estavam torcedores de equipes como o Corinthians e o Guarani em uma partida no Brinco de Ouro. Inclusive, há torcidas organizadas. Em uma situação normal, as forças de segurança conseguiria conter a violência deles. Mas o ambiente tenso no Egito transformou tudo em uma anarquia.
Vale lembrar que o fanatismo de torcidas não está diretamente relacionado ao PIB de um país. Os hooligans eram britânicos.
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O jornalista Gustavo Chacra, correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” e do portal estadão.com.br em Nova York e nas Nações Unidas desde 2009, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Iêmen e Chipre quando era correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al-Qaeda no Iêmen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires. Este blog foi vencedor do Prêmio Estado de Jornalismo, empatado com o blogueiro Ariel Palacio

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